"A Rua Dança a Cidade" é um dos projetos patrocinados pela Lei de Incentivo - PROMIC - e que reúne 256 crianças e adolescentes para dançar Street Dance – aqui no Brasil chamado Dança de Rua. O projeto é coordenado por Édio Elias Gonçalves, uma dessas pessoas que carregam em si o talento de arte-educador, educador como diria Rubem Alves.
As primeiras manifestações da dança de rua surgiram nos Estados Unidos, em 1929, época de grande crise econômica naquele país. Por causa da crise, muitos artísticas, entre músicos e dançarinos, perderam seus empregos nas casas noturnas da Broadway. Para sobreviver, passaram a apresentar nas ruas o Ragtime, o jazz e outros ritmos negros. Então, surgiram os primeiros tap dancers, ou sapadeadores, os primeiros dançarinos de rua. Com James Brown, um dos principais músicos que incorporaram a dança nos espetáculos, surge o Funk Music.
Assim, o Hip Hop nasceu no começo dos anos 1970 nas ruas do Bronx, bairro de Nova York, nos EUA. Foi criado inicialmente pelos breakers – dançarinos do Hip Hop - como um instrumento para resgatar jovens americanos excluídos que viviam em risco de ser envolvidos na roda viva da violência urbana.
Através dos tempos, o Street Dance criou sua própria cultura, cercado por um conjunto de ritmos e estilos de dança que se desenvolve conforme a realidade cultural dos praticantes. As coreografias passam a refletir o gestual do lugar onde habitam os praticantes do Street Dance, e assim se desenvolve mostrando formas inéditas. O corpo se transforma então em instrumento de comunicação e libertação.
Aqui em Londrina o grupo de Dança de Rua é o projeto da Rede Cidadania que mais tem se apresentado, mostrando seu talento por todos os lugares da cidade. Com isso se tornam conhecidos da população e cada vez mais são requisitados para shows e eventos culturais. O aplauso e o reconhecimento do público só faz aumentar o interesse dos dançarinos em participar do projeto.
No Festival de Música de Londrina, eles se apresentaram na ópera "A Noiva do Condutor" de Noel Rosa, ao lado de artistas de outras linguagens, compondo os personagens que dançavam na gafieira, incorporando o ritmo do samba. Junto com outro projeto da Rede Cidadania - "Baques e Batuques", arriscaram passos nos ritmos maranhenses e afro-brasileiros, mais uma das muitas formas da cultura popular brasileira.
E é sobre esse corpo comunicativo e transformador de realidades que as oficinas "A Rua Dança a Cidade" trafegam. Nelas, integrantes dançam a vida, adaptam novos passos e dançam os ritmos da esperança. Assim descobrem o prazer de trabalhar o corpo e conseqüentemente de como cuidar bem dele.
As coreografias inéditas e o corpo solto desenham a liberdade no ar e desafiam as leis da gravidade. Desafiam também os problemas comuns de garotos pobres que vivem na periferia de Londrina, criando novas oportunidades, novos amigos e corpo e espírito prontos para decidir o que fazer da própria vida.
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