domingo, 17 de junho de 2012

Para refletir

  Trecho do livro Não leve a Vida tão a Sério, Festa de Natal, página 22.
   "No final dos anos 70, Jerry Jampolsky - o psiquiatra especializado em crianças que fundou o Centro de Tratamento pela Atitude - me convidou para a primeira festa de Natal da instituição.
    Fiquei chocado com o que vi. Diante de mim estavam crianças em cadeiras de rodas e muletas, crianças com distrofia muscular a doença de Hodgkin, crianças com pernas amputadas ou paralisadas, crianças sem cabelo por causa da quimioterapia.
   Ao mesmo tempo que olhava para aquela sala de horrores, senti que havia algo diferente no ar. A sala estava cheia de suas gargalhadas e risadas, as crianças estavam felizes, conversando umas com outras. E era exatamente isso - sua atitude - que saía do padrão.
   Logo me vi num grupo, conversando com uma adolescente chamada Lisa, cujo sonho era ser modelo. Lisa se apoiava em muletas de alumínio e metade de seu corpo, inclusive o rosto, estava paralisado por causa de um acidente de automóvel. Enquanto conversávamos, Lisa, de repente, perdeu o equilíbrio e caiu de costas. Quando conseguimos levantá-la, havia lágrimas de dor em seus olhos. Lisa deu um sorriso encabulado e disse:
   _Pelo menos eu estou conseguindo ficar com o bumbum bem durinho...
   'Ficar com o bumbum bem durinho' não é exatamente o que se esperava ouvir numa situação dessas, mas qual a reação seria mais adequada? Para mim, foi especialmente instrutivo para observar que suas mentes sadias eram mais reais e mais importantes para elas do que o peso de seus corpos.
   Copiar a abordagem infantil da felicidade não é se comportar como uma delas, mas sim ver o mundo como elas veêm. É abandonar as percepções estreitas e as respostas prontas.  
 ( Prather, Hugh. Não leve a vida tão a sério. Hugh Prather. -Rio de Janeiro: Sextante, 2003)

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