domingo, 5 de agosto de 2012

Traga para você

TIRADO DO LIVRO NÃO LEVE A VIDA TÃO A SÉRIO, HUGH PRATHER
   " Um dia um indivíduo me ligou e disse que seu amigo Lloyd ia tirar a própria vida. Ele explicou que não se tratava de um impulso - Lloyd havia levado muitas semanas para chegar a essa decisão. O amigo conseguira obter uma concessão: eu poderia ir à casa de Lloyd para uma conversa.
   Embora fosse meio-dia, entrei numa casa tão escura que não conseguia ver onde pisava. As cortinas estavam cerradas e só uma luz bem fraquinha estava acessa. Lloyd aparentava uns quarenta anos - e não levantou quando entrei. Estava sentado num sofá da sala.
   Lloyd me agradeceu por ter vindo e logo começou a explicar por que decidira cometer suicídio. Contou como havia perdido o emprego e há mais ou menos um ano sua esposa o deixara, levando a filha de dez anos. Havia envenenado tanto a menina contra ele que ela já não queria falar com o pai.
   Os suicidas são muito retraídos; descobrir a maneira de ajudá-los é um jogo de adivinhação em que as probabilidades de dar certo ou errado são meio a meio. Tive sorte porque Lloyd falava espontaneamente.       Enquanto Lloyd explicava por que iria se matar: sua família era tudo o que importava, e agora estava destruída, notei que ele sempre voltava as mesmas histórias e lembranças dolorosas.
   Uma avaliação recorrente que tinha de si mesmo era que nunca tinha de de si mesmo era que nunca tinha sido uma pessoa muito gostável". Enquanto escutava, eu ia anotando uma lista desses pensamentos. Por fim, ele fez uma pausa e eu disse:
   _Não tentarei convencê-lo a não fazer isso, mas não há nenhuma necessidade de sofrer tanto. Você não gostaria de se sentir mais confortável e em paz agora mesmo?
   Ele disse que sim. Fui até a cozinha e voltei com um saco plástico de lixo. Rasguei a lista que havia feito e coloquei os pedaços no saco.
   _Lloyd, eu quero que você pense que tudo que está nesse saco é lixo. Para se livrar da dor, você só tem de seguir uma regra. Você pode pensar sobre qualquer assunto que estiver no saco de lixo, mas, para fazer isto, terá de pegar a tira com esse assunto e segurá-la em sua mão enquanto estiver pensando. Quando achar que pensou o suficiente sobre o que estava escrito naquela tira, coloque-a de novo no saco.
   A história teve um final feliz. O ato de apanhar conscientemente um pensamento e colocá-lo no saco permitiu a Lloyd sentir momentos de reflexão. Ele percebeu que os sentimentos de desolação desapareciam e se deu conta de que ele era o único responsável por suas dores. Foi o emprenho em fazer conscientemente o exercício que o salvou.
      Não se preocupe com a maneira certa de procurar orientação ou pedir ajuda
Quando um pedido de paz vem do fundo do coração, 
a paz sempre será providenciada."


 (Prather, Hugh. Não leve a vida tão a sério/Hugh Prather. Página 128-Rio de Janeiro: Sextante, 2003)

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