sexta-feira, 22 de junho de 2012

Preocupação

"PARECE, MAS NÃO É
Quando estávamos no final da adolescência, meu irmão e eu fomos convidados para ir a uma fazenda nas montanhas do Colorado. Um dia fizemos uma longa caminhada e chegamos a uma cachoeira magnífica, de mais de cinquenta metros de altura. Desafiei-o a subir comigo prlsd pedras e ele topou o desafio.
Nosso plano era subir paralelamente à queda-d'água. Como em gera acontece com pessoas inexperientes em escaladas, o que não parece íngreme para quem está embaixo se agiganta quando a subida começa. Quando me dei conta de que seria bem mais difíicil e perigoso do que havia imaginado, percebi que seria muito pior tentar descer.
Restavam apenas uns dez metros para chegar ao topo, quando começou uma chuvaa de granizo que se transformou em uma fortíssima tempestade. Estávamos logo abaixo de uma imensa pedra que se projetava. Eu não conseguia ver o caminho para o topo e, para piorar, de repente, o degrau sobre o grau nos apoiávamos começou a se soltar.
Quando a base começou a rachar sob nossos pés, meu preocupei. Meu irmão escolheu extamente aquele momento para me dizer que em duas ocasiões pessoas haviam morrido tentando escalar a cachoeira. Gelei, mas como era o mais velho e o responsável por estarmos ali, naquele sufoco, assumi  a liderança. Apesar de paralisado em que ele estava. Era mentira, mas foi a única coisa que me ocorreu. Por sorte, havia mesmo um caminho e, quando chegou em cima, ele estendeu a mão e me ajudou a subir.
A primeira reação a essa história é dizer que me preocuéi no momento errado. Mas, para falar a verdade, não dá para saber qual é o momento certo de se preocupar. Deveríamos ter nos preocupado em identificar o exato ponto em que não havia retorno? Se concordássemos ter alcançado este ponto (raramente as pessoas concordam a respeito do momento de parar), deveríamos ter feito uma pausa e nos preocuparmos ali? Ah...Durante a escalada vimos uma cobra diferente e nos aproximamos para examiná-la mais de perto. Deveríamos ter nos preocupado também?
É claro que não existe um momento idel para se preocupar. Talvez fosse possível dizer que 'uma pequena preocupação' é bom, ou, ainda, que o importante é a quantidade e não o momento. Quem sabe, seu eu tivesse me preocupado pelo menos um puquinho não teríamos corrido risco de vida. Na verdade, é preciso admitir que foi justamente o fato de que a escalada parecia preocupante que tornava a ideia interessante."
  (Prather, Hugh. Não leve a vida tão a sério/Hugh Prather. Página 40-Rio de Janeiro: Sextante, 2003)

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